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sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Dia 4 - A queda do Gil

O reboque

Fomos então num escuro imenso pela estrada Praia da Vieira - São Pedro de Moel. É muito escuro, mas permitia viajar em segurança, pois há ciclovias separadas da estrada normal.

O problema era que uma bicicleta estava sem corrente, logo, ora reboca um, ora reboca outro, mas há imensa carga e muitas subidas e descidas. Depois, quem vem a ser rebocado, não pode deixar se aproximar muito da bicicleta da frente para a corda não enrolar na roda.

A queda do Gil e que voo para quem não tem asas!!

Íamos nós um pouco antes de Pedras negras, quando pouco de pois de trocar de turno de reboque com o Fonseca, cansado e cheio de fome, decido ir descansadito para trás com as minhas últimas 3 barras de amendoins e chocolate da Jumbo-Auchan, hãn, e a pensar. "Vou comer e descansar finalmente, que vim a puxar aquele gordo tanto tempo!".

Mal penso isto tudo, num esticão mais forte do Fonseca, a minha bicicleta é puxada com força e aproxima-se da dele, a corda enrola na roda da frente, desprende o cabo do travão do mesmo e a roda trava. A cerca de 17, 18 km/h, sem contar, com travão a fundo na roda da frente e ainda a meio da segunda barra.... Yaaahhhoooooooooo!!!!!! Lá vou eu!

Mariquinhas, pah!!

Resultado: Um joelho muito mal tratado e as mãos bem quentinhas com a gravilha. É que o dia já tava a correr tão bem!! Mas não fica por aqui.. Há-de ser um dia com muito para contar...

Continuamos então a pé, com as bicicletas na mão. "Nunca mais me meto em reboques de noite!!".

"UI! Até parecem lobos!!"

Em Pedras Negras no meio do escuro que só nos era possível ver a estrada com uma luzinha que tínhamos pequena, ouvimos um cão. "Deve andar aqui perdido, coitado". Depois ouvimos outro, outro até que ouvimos tantos a correr pela mata e a sair para a estrada que paramos. Apontavamops para luz e refletiam à frente e de dentro do pinhal, muitos olhinhos.

Quando surgiu o "UI!! Até parecem lobos!", na brincadeira, mas naquela brincadeira séria que dás dois ahah, e depois ficas logo sério. Andamos passo a passo, até chegar à descida, saltamos para as bicicletas e descemos por aliiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii fora!

Finalmente, depois de muito andar, chegamos a São Pedro do Moel, onde fui assistido pelo INEM e a GNR foi muito prestável.

Dia 4 - O tal que devia ficar em casa, ou na tenda! (Gil)

Não pára. Nem para fumar!!

O dia estava bom, nem muito calor, nem muito frio e tudo se adivinhava um dia perfeito.



Passamos pela Area 51 portuguesa


Partimos da Figueira da Foz às 17h30 e estávamos prontos para as nossas mini 24 heures du mans. O desviador traseiro com um parafuso funcionava na perfeição, a corrente remendada, "corria" bem, por isso, toca a partir para a viagem, sem comprar peças suplentes.

A beleza do Inferno

16 km assim... Praia do lado direito, dunas altas a meio e mato imenso do lado esquerdo!

O primeiro troço foi de Figueira da Foz a Leirosa e lá apreciamos a vila, a sua praia e vista. Para sul, pela costa, de Leirosa a Pedrogão só existe praia de longos areais e altas dunas que separam o imensidão de floresta e pinhal que se alonga até ao horizonte. Perante a beleza disto, nós decidimos aproveitar a areia dura da longa costa e seguir para Pedrogão de bicicleta junto ao mar.
No deserto

E que maravilha.... Até que... Vimos um riachozito a atravessar o areal até desaguar no mar e passa o Fonseca, passo eu... Quando passei, a bicicleta atascou. Ao forçar, a corrente partiu e sem que tivesse tempo de me mexer, desaguou com o riacho para o mar. ..

FO...-SE!!!!!!

Aqui era feliz, não fora este o lugar onde a minha corrente desaguou!

Parei com as sapatilhas na água, olhei para o mar... O sol punha-se no horizonte. Que beleza... Fiquei calado durante uns valentes minutos na mesma posição, sorri, como sorrimos quando nos queremos controlar e não desatar ao chuto a tudo, e disse: "Fonseca, tira uma fotografia!".

Osso da Baleia

Bicicleta na mão, passeio no deserto até Pedrogão

O sol já posto e verificamos a ausência da lua. Lua nova, 16 km de praia, bicicletas na mão e uma luz ao fundo, que se confundia com uma estrela a mostrar a próxima localidade mais perto. A sorte foi o rádio dos chineses que o Fonseca comprou, senão a solidão ia matar-nos de tédio. Entusiamo no deserto!


O Fonseca é um tipo que curte desporto, mas não aprecia nem liga a futebol, eu, sou um fã mais apegado. Mas não havia outra estação que não a dos relatos do Benfica e do Nacional da Madeira, (ainda que com muita intermitência) e até o mais céptico Fonseca, não resistiu ao entusiasmo dos comentadores de rádio e vivemos os dois jogos para tentar afastar o pensamento da bronca do dia.

A "estrela" demorava a ter contornos de luz da vila de Pedrogão, mas lá chegamos. Quando subimos o passadiço para a rua causamos sensação naquela noite escura. Dois tipos, todos cheios de areia, a sair do escuro, com duas grandes bicicletas.


Uma senhora assustou-se e quando perguntamos onde estávamos, ainda "temeu mais pela vida" e respondeu curto e grosso. Disse um "Pedrogão" curto e fugiu como um modo "grosso".

Para sabermos mais e abastecermos o Fonseca parou um jipe da patrulha nocturna da GNR, perguntou indicações e se arranjavam água. Eles prontificaram-se e levaram as nossas garrafas, mas como tinham um café mesmo em frente, foram do passeio ao café da frente pedir água.

Enquanto isso, chegou outra patrulha, que vendo o aparato da coisa e talvez, felizmente, com os poucos casos que há na terra, parou e saíram todos das viaturas e vieram falar connosco.

Foram muito simpáticos, perguntaram-nos donde, como e para que vínhamos e ficaram admirados como natural, embora um mais velho me tenha dado ar mais desconfiado e perguntava coisas como "pela praia de bicicleta??", "mas vieram do mar?", "donde são?"...

O senhor André, dono do Restaurante/Marisqueira Santola, um senhor do Norte, de Chaves, fez questão de vir ter connosco e trouxe um saco cheio garrafas de água, e mostrou-se bastante preocupado com as nossas necessidades e referiu, simpatizando com a nossa aventura, que tinha um filho que fazia também fazia BTT.

Cliquem para aumentar! No comment...

Leirosa

Leirosa

Fonseca: "Porra, nunca mais acaba!"

Dia 4 - Alvorada!! ou não.. Deixa dormir

Lavar a roupinha... Oupa!!

No parque de campismo de F. Foz, dormimos bem e aproveitamos bem os banhos de água quente. A vizinhança era porreira e o dia estava bom.

Parque campismo F. Foz

Segundo o plano deveríamos ter chegado a São Pedro de Moel e não em F. Foz, por isso para tentar encurtar tempo, decidimos fazer uma espécie de 24 Heures du Mans, mas não com tantas horas, é claro. Para isso até compramos bastantes provisões para 1 dia, 2 dias.

Ideia muito engraçada e não destrói a paisagem da praia

Figueira da Foz

Relógio solar, um monumento com utilidade

Workshop de dança na praia. O aprendiz de vermelho estava muito entusiasmado, mesmo!


Sejam eles quem forem, ao menos a família não tem desculpa para não ir lá a casa!


O Gil?! Atirou-se??