Por problemas de horários de trabalho e faculdade, tenho tido pouco tempo para escrever os próximos relatos, mas não pensem que está abandonado... Apenas está em banho-maria :D
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
domingo, 12 de setembro de 2010
Rota da Costa 2010: Dia 3
Ter, 24 de AgostoPartida: Marinha Grande
Chegada: Setúbal
Distância: 4 km pedalados
Diário de Bordo: Dia 3, joelho esquerdo num estado medonho, mal conseguia anda sem mancar... Sei que isto é muito polémico de se dizer, tendo pernoitado num quartel de bombeiros, mas para esses rapazolas das piadolas, tento na língua!
Mais um dia, mas uma alvorada madrugadora... Nas condições em que estava e sem saber ao certo o que tinha no joelho, era imperativo parar um dia pelo menos para ver como progredia a situação.
Mais um dia, mas uma alvorada madrugadora... Nas condições em que estava e sem saber ao certo o que tinha no joelho, era imperativo parar um dia pelo menos para ver como progredia a situação.
Assim, em vez de correr o risco de o joelho piorar ou ceder em terras já conhecidas da Rota da Costa 2009, faria o máximo possível em terras incógnitas à Rota.
O ano passado, a Rota da Costa 2009 também foi divulgada na internet, hi5, twitter e facebook. E foi precisamente no facebook, que numa das fotos que publiquei da viagem no grupo "Descobrir Portugal" que conheci a protagonista deste dia.
Anabela Pereira, da Câmara Municipal de Setúbal, é uma entusiasta do mundo da fotografia e têm-no como um sério hobbie. Gostou das nossas fotos e da nossa aventura, e com naturalidade e muita abertura, ofereceu ajuda para a Rota da Costa 2010. Como antecipei a minha chegada a Setúbal, no mesmo dia a medo por ser em cima da hora, liguei-lhe a contar o meu plano. Foi com muita amabilidade que disse que espera a minha chegada, que aconteceu já ao fim da tarde.
Foi com alegria que vi Setúbal, tive lá umas mini-férias em 2008 que recordo com muita alegria. Como trazia muito equipamento, fui atrás do carro até sua casa. Uma estadia de luxo. Primeira coisa que fomos fazer foi: "ir aos hamburgers!".
Fomos então ao McDonald's na Avenida Luísa Todi. Já terminadas as obras que me lembrava de 2008, apresentava-se um local da cidade muito agradável, assim como a conversa, que numa noite, fez de mim e da Anabela, tudo menos estranhos.
Eu bem digo amigos, que os comunistas são das pessoas mais receptivas e hospitaleiras na maioria dos casos. No dia seguinte, já estava convidado para ir até à Quinta da Atalaia, Seixal, onde os preparativos davam forma à Festa do Avante. Pouco depois de chegar a casa, aterrei no conforto do quarto que me concedeu.
Foi com alegria que vi Setúbal, tive lá umas mini-férias em 2008 que recordo com muita alegria. Como trazia muito equipamento, fui atrás do carro até sua casa. Uma estadia de luxo. Primeira coisa que fomos fazer foi: "ir aos hamburgers!".
Fomos então ao McDonald's na Avenida Luísa Todi. Já terminadas as obras que me lembrava de 2008, apresentava-se um local da cidade muito agradável, assim como a conversa, que numa noite, fez de mim e da Anabela, tudo menos estranhos.
Eu bem digo amigos, que os comunistas são das pessoas mais receptivas e hospitaleiras na maioria dos casos. No dia seguinte, já estava convidado para ir até à Quinta da Atalaia, Seixal, onde os preparativos davam forma à Festa do Avante. Pouco depois de chegar a casa, aterrei no conforto do quarto que me concedeu.
A viagem:
Ora, para chegar a Setúbal, parti da Marinha Grande num regional CP até Caldas da Rainha, onde troquei de comboio para Meleças-Sintra para apanhar o urbano até Sete Rios, onde também com transborno, apanharia o Fertagus em direcção ao destino final.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Rota da Costa 2010: Dia 2
Seg, 23 de AgostoPartida: Barra de Mira, Mira
Chegada: Marinha Grande
Distância: +/- 104 km
Diário de Bordo: Ora, dia 2. Nomeava este dia com algo mórbido: uma viagem pelo cemitério N109. Porquê?!
Eram 7h da manhã quando acordei, no meio do nada, sem WC, chuveiros, água canalizada, etc. Depois de fazer toda a minha toilette "de campanhã", que é à base de toalhitas de bebé, parti eram 9 horas ao encontro da estrada nacional com vista a atingir Marinha Grande. O meu joelho esquerdo no dia anterior antes de me deitar, tinha ficado algo inflamado, mas já estava aparentemente recuperado.
Esperava uma longa viagem e como a zona compreendia uma área que já tinha feito o ano passado, temia que começasse a desmoralizar logo nos primeiros dias. Daí ter preparado na bagagem mantimentos suficiente para não ter de parar em nenhum lado, excepto para abastecer-me com água e isso fazia muito frequentemente.
A N109 é para mim a imagem de um cemitério, talvez por ser mais movimentada do que as nacionais que percorri no sul, é uma estrada que tem centenas de animais atropelados em toda a extensão que percorri, ao ponto de começar a tentar desviar o olhar, para tentar ignorar tamanho massacre. Algo terá de ser feito...
A N109 é para mim a imagem de um cemitério, talvez por ser mais movimentada do que as nacionais que percorri no sul, é uma estrada que tem centenas de animais atropelados em toda a extensão que percorri, ao ponto de começar a tentar desviar o olhar, para tentar ignorar tamanho massacre. Algo terá de ser feito...
A meteorologia previa já chuva no dia anterior, mas foi neste dia que ela apareceu. Até à Figueira da Foz, apenas ameaçou e o tempo mais ameno ajudou a pedalar com alguma celeridade. Foi aqui que a minha irmã, que viajava com amigas por vários pontos do sul, se cruzou comigo de carro, tendo-me visto apenas depois de passar por mim.
Pelo caminho e desde a Tocha, vinha sendo acompanhado por três ciclistas com bicicletas de estrada. Ora me passavam, ora eu apanhava-os cerca de meia hora ou às vezes uma hora depois quando paravam. Isto até Guia, Pombal. Ainda pouco depois da Figueira da Foz, no campo de tiro, ouvi o senhor do carro de apoio deles a dizer: "Tão a ver este?! Assim é que é! Desde Aveiro sem parar!".
Houve um que por motivos de fadiga, lesão ou mesmo forma física em baixo, foi ficando para trás e eu na minha bicicleta pesada, com carga de cerca de 20 quilos, tentei acompanhar, chegando até a ultrapassar durante uma hora. Era uma motivação, uma forma de render o tempo, eliminando o tédio, até que numa subida esgotei totalmente toda a força que tinha em Guia, Pombal.
Eram já quase 7 horas a pedalar e o corpo pedia algo mais que água e barras de cereais, mas faltava ainda muito para a Marinha Grande. O meu joelho esquerdo inchou de tal maneira que distinguia-se bem do outro ao longe, e doia-me em cada pedalada, mas que fazer?! Voltar atrás?! Para quê?
Eram 15h30 e de chuviscos, passou a chuvada e parei então numa paragem de autocarros perto de Louriçal, Pombal, face à estrada N109. Encostei a bicicleta lá dentro, tirei a latinha e o cerelac para encher a pança e matar de vez a fome "et voilá", está o estaminé armado.
Muitas reclamações e insultos no facebook depois (por ter parado por causa da "chuvinha da treta"), toca a arrepiar caminho aos 30 km que me separavam da Marinha Grande.
Eram 17 horas e pareceu-me certo cortar caminho por Monte Real, onde pedi informação sobre o atalho. Segui então até à Base Aérea N.º 5 onde ouvi os jactos dos F16, digo eu sendo leigo, a serem testados. Começou de novo a chuviscas, mas densamente, uma carga de água se não bate, mas molha instantaneamente.
Deviam ser cerca de 19h30 quando cheguei finalmente ao quartel de Bombeiros da Marinha Grande. Lá pedi e concederam-me uma estadia de luxo. Balneários, cama lavada, gelo químico para o joelho, "marabilha"! O joelho estava com aspecto medonho, com o dobro do tamanho, que me deu um andamento novo. Não, não venham meus amigos virados para brincadeira dizer que não foi de pedalar, porque foi! Já imagino as boquinhas!
No quartel como de esperar, de malta voluntária que convive com o mesmo espírito, tive uma boa recepção. Com pouca dificuldade, a conversa foi saindo e a juventude de alguns membros ajudou. São momentos que fazem a viagem valer a pena - o contacto com desconhecidos.
Depois de ter feito os contactos com alguns amigos por telemóvel, o cansaço encarregou-se de me levar aos lençóis.
Rota da Costa 2010: Dia 1
Dom, 22 de AgostoPartida: Valadares, Vila Nova de Gaia
Chegada: Cruzamento no Pinhal da Barra de Mira, Mira
Distância: +/- 95 km
Diário de Bordo:
Todos perguntam se planeei esta viagem com cuidado, pormenor e com que critérios. . . A minha resposta é, para quê?! Arranjei uma bicicleta patrocinada pela loja Biciporto, uns alforges emprestados pelo meu companheiro de viagem do ano passado e fiz as malas à pressão na noite anterior!
O que levar?!
Bem, fiz duma forma muito simples! Tentei lembrar-me do dia -a-dia do ano passado, vi o que tinha em casa, fui a um hipermercado e foi sempre a abrir. Dentro do essencial, levei:
- roupa lavada para 3 dias, (e sabão azul para o caso de não ter onde lavar);
- toilette de banho e higiene (numa pequena bolsa, mais chinelos e toalha);
- tenda, saco-cama e colchonete;
- imensas barras de cereais
- cerelac :D
- comida chinesa de juntar água a fever e fica pronto em 4 minutos
- 2 latas da ração de combate que tinha em casa
- garrafa de água bicicleta e uma garrafa 1,5l de reserva
- kit cozinha de campismo e o camping gaz
- câmaras e bomba de ar e ferramentas- mapa
- telemóvel, mp3 (+ carregadores) e câmera fotográfica (pilhas)
- um amigo imaginário, para contrariar a solidão
etc...Isto tudo tinha um peso de cerca mais de 15 quilos. . . não sei se seria mais!
Bem, malas semi-prontas, eram 23 horas de sábado e toca a ir dor.... nahhhhhhhh, toca a ir sair com os amigos!!! A hora da partida seria 7 da manhã do dia seguinte, mas há que fazer a devida despedida.
Cheguei a casa às 3 da manhã, meti as malas na bicicleta e acondicionei tudo com o impermeável pois ameaçava chover e fui-me deitar.
Domingo, dia D, dia 22 de Agosto de 2010, hora de acordar 7h........
ti-titititi ti-tititi ti-tititi
8h............
ti-titititi ti-tititi ti-tititi
9h.................................
até acordei mesmo as 10h30!
Tomei pequeno-almoço rápido, café para ganhar força para a viagem, meia dúzia de pensamentos de desistência e vontade de aproveitar as férias com muito comodismo e lá fui eu!!
Parti pelas praias que muito frequento de Gaia até Espinho. Aí, na marginal junto à praia, fui perseguido por uma senhora que corria a chamar-me!
Pensei: "Que nabo, deixei cair qualquer cena!".
Parei e diz-me: "O meu filho tem a bicicleta com um pneu vazio, não me faz o favor de encher?!". Ora, primeira utilidade da minha viagem, salvar um miúdo em apuros!! :D
Bem que me arrependi de partir, mas agora tem que ser até ao fim!
Já eram praí 17 horas. Tinha marcado como objectivo do primeiro dia chegar à Figueira da Foz. Assim à toa, sem olhar a quilómetros, mas parti muito tarde.
Era impossível chegar a tempo, antes de anoitecer. Pensei então chegar o mais longe possível. . . mas pensei mal!! hehe
Próxima paragem era logo ali, o farol da Barra, esse mesmo! O mesmo que parámos o ano passado nos garantiu bastante hospitalidade (ver http://rota-da-costa.blogspot.com/2009/08/dia-3-alvorada.html).
Procura ver se os faroleiros Mário e Rosado, que conhecemos o ano passado, lá estavam de serviço. E estava um deles, o Mário. Por sinal, o que mais falamos na manhã do ano passado antes de partir e que muito se mostrou simpatizante da nossa iniciativa.
Desta vez eu vinha sozinho, mas ele recordou-se de mim! Falamos bastante, num café oferecido imediatamente.
Fiz alguns quilómetros até que, era já noite serrada, o FC Porto ganhava 1-0 ao Beira-Mar, o Ukra tinha já devia estar no hospital com os queixos partidos e eu na escuridão a chegar à Barra de Mira.
Barra de Mira
Onde jantei uma latinha de massa à bolonhesa da ração de combate do exército português e pãezinhos para encher, ao som do relato do FC Porto - Beira Mar, 3-0 e uns gritos de golo no meio do pinhal!
Medo de dormir no meio do nada?! Não! Medo é de não dormir ao som de Michael Carreira, Emanuel, porque senão adormecer, tenho de ouvi-los!!
Parti pelas praias que muito frequento de Gaia até Espinho. Aí, na marginal junto à praia, fui perseguido por uma senhora que corria a chamar-me!
Pensei: "Que nabo, deixei cair qualquer cena!".
Parei e diz-me: "O meu filho tem a bicicleta com um pneu vazio, não me faz o favor de encher?!". Ora, primeira utilidade da minha viagem, salvar um miúdo em apuros!! :D
Cheguei a Aveiro à hora do almoço, aproveitei a trajecto passar pelo centro da cidade para perder algum tempo a ver a cidade.
Telefonei à Carla, uma amiga que fizemos na praia da Barra na Rota da Costa 2009. Estava no Festival do Bacalhau na Gafanha da Nazaré.
Ora, perfeito, ficava mesmo a caminho da Barra, pouco antes da ponte. Tempo para conhecer os amigos dela, beber umas minis e descansar um bocado.
Já eram praí 17 horas. Tinha marcado como objectivo do primeiro dia chegar à Figueira da Foz. Assim à toa, sem olhar a quilómetros, mas parti muito tarde.
Era impossível chegar a tempo, antes de anoitecer. Pensei então chegar o mais longe possível. . . mas pensei mal!! hehe
Próxima paragem era logo ali, o farol da Barra, esse mesmo! O mesmo que parámos o ano passado nos garantiu bastante hospitalidade (ver http://rota-da-costa.blogspot.com/2009/08/dia-3-alvorada.html).
Procura ver se os faroleiros Mário e Rosado, que conhecemos o ano passado, lá estavam de serviço. E estava um deles, o Mário. Por sinal, o que mais falamos na manhã do ano passado antes de partir e que muito se mostrou simpatizante da nossa iniciativa.
Desta vez eu vinha sozinho, mas ele recordou-se de mim! Falamos bastante, num café oferecido imediatamente.
Já começava a anoitecer e aproveitei a quotidiana retirada das cortinas, que protegem o farol da luz do sol, para subir lá em cima e tirar umas fotos.
"20h30!!!??? Putz, já ainda não andei nada, só tenho meia a uma hora de claridade!" disse eu. Recusei a gentil oferta de jantar do Mário e pedalei para aproveitar o máximo possível.Fiz alguns quilómetros até que, era já noite serrada, o FC Porto ganhava 1-0 ao Beira-Mar, o Ukra tinha já devia estar no hospital com os queixos partidos e eu na escuridão a chegar à Barra de Mira.

Era um pequena vila ou mesmo aldeia, com iluminação de "Festas 2010" e pouca gente.
Decidi parar para jantar e acampar, num pinhal que fica numa estrada municipal que liga Barra de Mira à N109.
Decidi parar para jantar e acampar, num pinhal que fica numa estrada municipal que liga Barra de Mira à N109.
Acabo de jantar, monto a tenda num triângulo de cruzamento de estradas e deito-me para tentar descansar.
Acampamento selvagem num cruzamento de estradas!
Meia hora depois, a cerca de dois quilómetros de mim e a bom som, ecoando pelo pinhal, oiço o concerto duma banda pimba qualquer a actuar nas festas da Barra de Mira, que me deixou intranquilo até altas horas da manhã!Medo de dormir no meio do nada?! Não! Medo é de não dormir ao som de Michael Carreira, Emanuel, porque senão adormecer, tenho de ouvi-los!!
FOTOS DO DIA 1:
ESPINHO
AVEIRO
Está ali um combustível a 0,000 euros!!! :P
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